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segunda-feira, 30 de março de 2015

#FicaDica: Publicitário e Agora? - Parte 2

Depois de quase dois anos, volto eu com a minha série de posts "Publicitário e agora?" rs. No fundo foi bom eu ter esperado (mesmo que a espera seja preguiça mesmo), pois agora tenho mais experiência pra contar.
Como disse no primeiro post da série (que agora vai ter um terceiro post com certeza rs), o curso só será válido se você tiver mesmo a fim de entrar na área. Porque senão, você vai jogar uns trinta mil reais no lixo. A publicidade é uma área muito abrangente, tanto que até se fala que todo mundo se sente um pouco publicitário. Então você não precisa necessariamente trabalhar numa agência, você pode ir pro marketing, pra área comercial, eventos, pesquisa, dentre outras.
A melhor dica que posso dar é: comece com um estágio. Mas um estágio numa empresa bacana, com um nome legal no mercado, não precisa ser grande, mas que te dê visibilidade e o mais importante: contatos ou network.
Sei que pra muitos, é complicado fazer estágio já que o salário é baixo. Mas, o mercado publicitário é um pouco fechado e muito exigente. Vou contar minha experiência, que acho bem válida.
Comecei o primeiro ano da faculdade e consegui um estágio de 4 horas numa editora de livros, graças a indicação de um colega de ensino médio. Aceitei trabalhar mesmo pra ocupar meu tempo livre e porque tinha 17 anos já né, tava na hora. Foi um trabalho onde coloquei mais meu lado webdesigner em prática, mexia mais com mídia online e vendas até porque eu não tinha conhecimento de publicidade mesmo. Na verdade, eu empurrava bem com a barriga esse estágio, não aprendi muita coisa não.
Passado quase dois anos, eu me cansei do estágio, eu não tinha como crescer e me desenvolver profissionalmente e como já estava pra vencer o contrato, decidi ir buscar um novo estágio ou emprego. E queria muito na área, em agência. Mas encontrei bastante dificuldade pra entrar no marketing ou agência, porque todos exigiam conhecimento em mil e uma ferramentas seja de criação ou de social media. Achei e ainda acho bastante absurdo exigirem experiência pra um estágio, afinal de contas o estágio é o ingresso do profissional no mercado de trabalho, subentende-se que o estagiário está buscando aprender as coisas.
Ah, a maioria das empresas contraram alunos a partir do segundo ano, já que o primeiro ano é bem basicão em todos os cursos e a maioria desiste.
Enfim, procurei bem desencanada e mandava currículo pra todos estágios de publicidade que apareciam e que não exigiam conhecimento que eu não tinha. Queria algo que me desse experiência, queria trabalhar mesmo rs.
Então, meu antigo emprego, a emissora de TV, me chamou pra entrevista. E as coisas deram certo. De verdade? Foi sorte a minha. Consegui por conta própria. É possível todo mundo ter essa sorte ;)
Lembra que eu queria mudar de emprego pra trabalhar? Pois então, eu fiz questão de me empenhar, ainda que no começo eu percebi que não era bem na minha área que eu ia estagiar, mas segurei firme e fui. Vi ali uma grande oportunidade pra finalmente entrar na minha área. E te dou mais esse conselho: seja o melhor estagiário que puder, assuma responsabilidades. Dificilmente você vai realmente estagiar na sua área, mas se a empresa valer a pena, continue firme e forte que as portas irão se abrir.
Eu trabalhei no departamento comercial, e fui ganhando meu espaço aos poucos. O mais legal de trabalhar numa emissora, é que você faz contato com a maioria das agências da região, além de produtoras e fornecedores como institutos de pesquisa. Tive a paciência precisa, e me deram a oportunidade de assumir um pouco da área de pesquisa, onde desenvolvi um certo apreço e me empenhei ainda mais. A bem da verdade, me encantei pelo mundo da TV e trabalhei sempre com muito amor e tendo a certeza que tinha escolhido a profissão certa a cada dia.
Como disse, as portas abriram e comecei a ser notada no mercado. E isso somou aos meus planos de crescer profissionalmente, e então uma nova oportunidade se abriu e pronto, estou eu hoje numa das maiores agências de publicidade da cidade.
Você vai perceber isso quando entrar no mercado da publicidade, o "quem indica" é o que mais funciona. Sempre vão estar de olho naquele profissional que está se destacando. Dá pra perceber isso num rápido acesso ao Meio & Mensagem, com a "dança" dos profissionais que saem de uma grande agência e vai pra outra grande, e daqui a pouco já está em outra. Essa movimentação no mercado é comum e é saudável (se você sai de bem dos lugares, é claro). Se pra mim, que trabalhei firme praticamente em um lugar só, abriram várias portas, sem egocentrismo, apenas como exemplo: tive quatro ofertas de emprego sem ter declarado abertamente que queria sair da emissora. Agora da pra imaginar o motivo de tanto troca-troca de profissionais em agências, veículos e marketing das empresas?
Então é importante você saber também o momento de ir buscar novos ares profissionais. Por mais que esteja satisfeito com o que faz e tenha se encontrado na área, busque sempre um algo mais, principalmente enquanto for jovem. Te garanto que as coisas são mais fáceis pra nós, jovens.
O que eu sempre fiz foi me imaginar trabalhando com o que eu gosto. Então tô no caminho do que vai me fazer trabalhar com o coração. Eu não vou mandar currículo pra uma empresa de pneus se eu não me imagino lá. Talvez apareça uma oportunidade incrível pra eu ir pra essa empresa de pneus, mas vou pensar muito pra ver se não vale a pena esperar e insistir mais pra trabalhar na empresa de cosméticos, que é mais a minha cara. Sei que muita gente não tem a opção de escolher um emprego, mas lembre-se sempre: se você faz com amor, você cresce. Você vai muito longe quando trabalhar sem olhar pro relógio toda hora, quando sentir o frio na barriga ao entrar na empresa, quando se empolgar com os projetos e ter a cabeça cheia de ideias e então vai se imaginar lá, no topo.
Sempre quis conhecer e trabalhar numa agência, antes de conhecer a emissora, e hoje, trabalhando em uma, ainda estou descobrindo se gosto ou não. Posso garantir pra vocês que ainda não me encantei e que se uma oportunidade ressurgisse pra trabalhar de volta numa emissora (em outra função, é claro), eu pensaria bem em ir. Agora, uma agência abre mil oportunidades também, isso é fato. Como é um lugar que respira ideias 24h, é meio impossível você não se encantar por uma área.
Ah, e se você for uma pessoa que assim como eu, adoraria ter ido pra criação mas se tocou que não leva o menor jeito com as ferramentas, não se preocupe, em todas as áreas a gente exerce a criatividade. Se você realmente tá gostando do que faz, as ideias não param.
Pra concluir tudo em um parágrafo: faça estágio pra conseguir ingressar no mercado, se não puder estagiar, busque algo mais próximo da área e algo que proporcione contatos que é o mais importante nesse mercado, se ainda assim não conseguir, tenha amigos influentes que possam te indicar pra um lugar legal, seja influente, se dedique e tente encontrar a área que gosta. Não sinta-se satisfeito, vá sempre em busca do algo mais, não pare de estudar, faça mil cursos, leia e assista de tudo,  conheça lugares, saia da zona de conforto, se aventure, publicitário tem que ser o cara mais bem informado do mundo, seja instigador, queira o por que das coisas, e exerça a sua criatividade mesmo que for pra mandar memes no grupo de Whats da galera rs.

O próximo post vai ser contando sobre como é trabalhar numa agência de publicidade ou quem sabe eu volto pra contar outra experiência no mercado (eu espero que ele saia daqui uns 6 meses).

Só para constar: eu ainda tenho dúvidas em qual área vou me firmar rs. Gosto de pesquisa, talvez eu trabalhe no Ibope um dia, gosto de emissora, mas também penso em ir pro marketing de uma empresa de pets, cosmético, moda, ou alimentos principalmente porque amo merchandising no PDV, e também queria um emprego que me fizesse viajar o mundo (quem não quer né? haha). E se nada der certo nessa nova etapa profissional da minha vida, eu vou pra esse mundão aí, mas pra ser publicitária ainda!


domingo, 7 de julho de 2013

#FicaDica: Publicitário e agora?

Já estava a um tempo querendo falar sobre minha visão agora como publicitária, mas como estava recém-formada, achei que seria muito precipitada.
Agora, acho ainda posso ser considerada recém-formada, mas já tenho uma percepção melhor do mercado de trabalho pois um belo dia cansei de esperar minha efetivação onde trabalho e resolvi procurar emprego, aí me deparei com algumas muitas dificuldades.
Assim, vou fazer uma série de 2 posts (risus pro série), onde nesse primeiro conto minha experiência universitária, e no outro conto sobre a vida já publicitária.
Primeiro conselho que posso dar é escolha o curso somente se você quer realmente levar a sério e sentir afinidade com alguma das inúmeras áreas que tem dentro da publicidade. A minha sala, começou com mais de cem alunos, e ano passado se formaram uns 50 no máximo. Isso porque boa parte desistiu logo no segundo ano.
O curso não é de vagabundo como costumam dizer, e como todo curso, é difícil sim. Como costumava dizer um ex-professor, é total teoria de Darwin, só os fortes sobrevivem.
O primeiro semestre é meio desanimador, é muita teoria, antropologia, sociologia, português, essas coisas que são chatas (dependendo do professor ficam mais chatas ainda), mas que ao longo dos anos você vai pegando um amorzinho, e percebe que fazem sentido no curso. Fora do primeiro semestre mas ainda dentro do primeiro ano, também começam as aulas de criação com os trabalhos de criação, onde você faz um grupo com 10 pessoas que tem ideias bem diferentes, o que acaba gerando inúmeras brigas (como foi meu caso), mas no fim das contas pode ser muito recompensador, você acaba conhecendo boa parte da sua turma, conversando com gente diferente, aprende a ter paciência, a ouvir, a ter voz ativa também, enfim, experiência que no final até que vale algo. Aliás gente diferente é o que sempre vai ter numa turma de publicidade, tem o grupo das patricinhas que você vê que tão ali porque não sabiam o que fazer e papai falou pra estudar então tão lá, tem os descolados tatuados maconhados (particularmente adoro conhecer uma figura dessa, sério, eles tem papos legais e estão sempre legais), tem os boys que tão lá só porque o curso é cheio de mulheres então eles vão pegar geral (SQN), tem os gays divertidíssimos, mas acho que essa galera tem em quase todas as turmas. De fato eu me senti no meio de gente bem diferente, a faculdade em si já é tudo diferente.
É sempre muito legal conhecer gente nova, faz bem, só que já antecipo que o curso é de muita rivalidade, então tem gente que você vai brigar no primeiro ano e só vai voltar a falar (se voltar) na colação de grau. Essa eu considero uma parte chata do curso, porque fica muita intriguinha entre os grupos, um escondendo do outro o cliente, não querendo ajudar porque senão vai que o grupo fica melhor e daí eu perco na premiação, difícil achar uma turma que seja inteiramente entrosada. Mas também já é um preparativo pro mercado, publicitário tem ego inflado, levam a rivalidade a sério, percebi isso nas festas da empresa em que trabalho, onde pouquíssimas agências se conhecem e se entrosam.
Voltando ao curso, eu escolhi com toda certeza do mundo o que queria fazer assim que saí do ensino médio, onde fiz o técnico de web design e tive contato com a parte “design” que amava/amo. Então entrei pra publicidade afim de ser da criação. Sempre fui admiradora da criatividade, gostava de aprender de tudo, e me desculpem os outros, mas publicidade é uma área que te permite conhecer sobre tudo e todos sem ser hobby, te instiga a ser um curioso de profissão.
Confesso que esperava um pouco mais do curso, não sei se foi a faculdade onde estudei, apesar de ter certeza que fui muito bem cobrada lá, não sei se é assim mesmo. De qualquer forma, acho que de tudo se tira um proveito quando se quer. Posso dizer que tirei um proveito muito grande, principalmente porque fiz a maioria dos trabalhos em grupo. Não acho ruim ter feito os trabalhos, sempre sou da opinião de que eu me ajudei muito mais do que ajudei os outros fazendo, fora que a recompensa vem. Meu primeiro emprego foi indicação de um colega do ensino médio que eu passei algumas colas, fica a lição.
O mais difícil do curso, sem dúvida, são os trabalhos, que na verdade são campanhas. Montar uma campanha inteira com estudos de mercado, pesquisas nas ruas, e depois por tudo isso em prática e com lógica na criação parece fácil, mas é muito difícil. Por horas, meu grupo sempre foi bom em planejamento, mas quando chegava na parte de criação, tínhamos sérios problemas. Foi aí que descobri que não servia pra ser da criação como tanto eu queria.
Durante o curso você vai testar seu cérebro a todo momento em busca de novidade, e se não manjar desses softwares de criação, vai quebrar a cabeça em dobro pra pensar em algo legal e viável às suas condições.
Outro conselho que dou é: se empenhe. Entre mesmo na sua área, fique por dentro das agências referência do país e fora, passe a acessar sites/blogs ligados à área, entenda como funcionam as coisas e as áreas da publicidade. Isso vai facilitar muito na hora de montar seu projeto final.
Entrei em semi-desespero com meu TCC porque não conhecia empresas de outdoor, não tinha ideia de quanto custava pra produzir e veicular certas mídias, conhecia TV porque trabalho em uma emissora mas ainda assim o universo é muito vasto. Se tivesse me empenhado mais nessa parte “prática” da profissão, teria me dado melhor.
Bom, pra finalizar essa primeira parte do tema, onde termina a faculdade, reforço a ideia de que o curso só vale a pena se você tiver vontade mesmo de seguir em frente na área, pois assim como em todos os cursos, tem matérias bem específicas onde só quem gosta da coisa que vai conseguir entender e caminhar adiante. As aulas no geral são superficiais perto do universo vasto que é a publicidade, mas também como em todos os cursos, o empenho do aluno é fundamental para bom entendimento daquilo que faz.
Aprende-se português, fotografia, pesquisa, sociologia, redação, criação (embalagem, formatos de anúncios, web, gráfica etc), mídia, artes, marketing.
Não aprende-se: photoshop, illustrator, corel, inglês, excell, word, power point, paint, desenho, e o principal: ser publicitário.
Ser publicitário é assunto pro segundo post da série...